quarta-feira, 27 de novembro de 2013

A tecnologia como recurso didático



A tecnologia como recurso Didático
A geração que ocupa as salas de aula atualmente nasceu na era em que as tecnologias da informação se apresentam com uma volatilidade como nunca visto antes. Os alunos estão antenados nas transformações, fazendo uso das redes de transmissão de dados para se comunicar com parentes e amigos, tanto dentro como fora do ambiente da escola. Por ser muito volátil, a tecnologia está sempre se reinventando, o que faz com que ocorram fatos quase inimagináveis.
Os alunos atualmente têm presente em suas vidas um mundo de artefatos carregados de tecnologia. Porém, ainda se veem obrigados a passar longas horas nas salas de aula tradicional, que nada lembra o mundo deles.
Acaso se pergunte a um (a) estudante do ensino fundamental o que é uma ficha telefônica, muito provavelmente ele (a) vai responder que não sabe do que se trata. A velocidade da evolução tecnológica é tamanha que as pessoas com pouco acesso aos recursos tecnológico poderiam se surpreender quando esclarecidos da forma como a tecnologia nos envolve sem distinção.
Conforme Kenski, a tecnologia não é percebida de maneira clara no dia a dia, para evidenciar isto basta que lembremos que:
Muitos dos equipamentos e produtos que utilizamos em nosso cotidiano não são notados como tecnologias. Alguns invadem nosso corpo, como próteses, alimentos e medicamentos. Óculos, dentaduras, comidas e bebidas industrializadas, vitaminas e outros tipos de medicamentos são produtos resultantes de sofisticadas tecnologias... Tudo o que utilizamos na nossa vida diária, pessoal e profissional utensílios, livros, giz e apagador, papel, canetas, lápis, sabonetes, talheres, são formas diferenciadas de ferramentas tecnológicas ( p. 19, 2003)
Então, não podemos depreender que seria uma contradição manter nossos alunos a parti deste processo contínuo justamente no espaço que mais ele poderia se beneficiar do uso orientado dos recursos tecnológicos que podem ser usados em sala de aula?
Ultimamente se tem verificado o desinteresse por parte dos alunos que frequentam as salas de aulas, que continuam com a metodologia que outrora fora sinônimo de sucesso no repasse de conteúdo pedagógico nos mais diferentes tipos de escolas. São as salas que não conseguem inovar de modo a contribuir com a concentração dos alunos, diante do nosso modelo conteudista de ensino.
            As aulas tradicionais discursivas expositivas já não conseguem corresponder as suas demandas de ensino. Os objetivos tornam-se cada vez distante, visto que parte dos alunos se dispersam, ou às abandonam, para povoar os corredores e pátios na companhia de seus equipamentos que utilizam para acessar as redes sociais, ou mesmo para “matar o tempo”, sempre com seus fones de ouvido em uso; outra parte que não se evade, permanecendo diante do que consideram uma “tortura”, que se atenuaria mediante o uso de outras linguagens pedagógicas.
Os alunos têm seu rendimento prejudicado pela falta de mecanismos que inove a metodologia de ensino a fim de melhorar a relação ensino aprendizagem, diante de uma clientela que não estacionou perante as tecnologias que se superam a cada dia. A sala de aula com este formato, considerado superado por muitos, tem seguramente papel importante nas causas que surtem nos altos índices de reprovação, repetências, evasão e queda do rendimento escolar observados no estágio obrigatório.
            Às disciplinas que requerem um alto grau de abstração para se alcançar uma apreensão e consequentemente uma compreensão adequada dos conteúdos, como exemplo a História, fazem-se necessário o uso de âncoras virtuais plausíveis que facilite ao aluno se situar em um ponto material inteligível para que se possa obter uma melhora na relação ensino aprendizagem. O que seria bastante razoável pensar os recursos tecnológicos como ferramentas que postulam este objetivo.
Esta visão de mediador dos impasses, que possam prejudicar o bom andamento da sala de aula assim como o resultado final da ação pedagógica, é matéria dos docentes que se preocupam com os objetivos a serem alcançados, sempre vislumbrando o processo de emancipação e inclusão do aluno.
Para que isso seja possível, como lembra Luckesi:
Um educador, que se preocupe com que a sua prática educacional esteja voltada para a transformação, não poderá agir inconsciente e irrefletidamente. Cada passo de sua ação deverá estar marcado por uma decisão clara e explícita do que está fazendo e para onde possivelmente está encaminhando os resultados de sua ação ( p.46, 1995).
Isto se encaixa perfeitamente com a discussão do grupo de apresentação de seminário, do dia 26-11-13, que abriu um debate sobre o conceito, diferença e igualdade que existem entre o professor e o educador. E a escola não pode ser omissa diante do seu papel primordial de difundir conhecimento com métodos capazes de promover uma educação libertadora, formando cidadãos mais críticos. Isto passa pelas mãos do professor, que via de regra deveria ser antes de qualquer coisa, um educador.
Deparei-me com uma realidade que não foge ao habitual de grande parcela das escolas nas quais há colegas em estágio nas atividades de prática pedagógica assim como eu, e com os quais tive contato discutindo o assunto em questão. Professores acomodados com pouca, ou sem nem uma motivação para usar a tecnologia a seu favor, o que resulta em alunos também acomodados, que sem uma orientação farão uso da tecnologia para o entretenimento ao passo que deveriam ter esse uso continuado no espaço escolar, visto que, a partir de Carneiro, o uso da informática já faz parte do cotidiano deles:
O uso da informática no ambiente doméstico alterou o modo de lazer das crianças e adultos com a utilização de jogos, simuladores e dos diversos ambientes na Internet e tornou-se recurso adicional para pesquisas e trabalhos escolares pela utilização de aplicativos básicos, como editores de texto e programas para desenho, enciclopédias eletrônicas, sites da rede mundial e jogos educativos, ( p. 24, 2002)
 A realidade nos mostra que não podemos nos esquivar dos artefatos que possibilitam inovar, na sala de aula, com ferramenta que nos possibilitem resgatar a atenção do aluno. Integrar essa novas tecnologias à sala de aula ainda é pouco frequente e um desafio para professores, principalmente porque a formação, frequentemente, desconsidera essas tecnologias. Quando muito, geralmente, apresenta-se a teoria sem uma prática, o que garante a muitos docentes iniciar-se profissionalmente desprovido da intimidade com as ferramentas tecnológicas. Fora do processo tecnológico se distanciam processo de formação do homem que não se resume ao repasse de conteúdo e a aprendizagem.
Ao falar das novas tecnologias como recursos de interação, KENSKI afirma que:
Os novos processos de interação e comunicação no ensino mediado pelas tecnologias visam ir além da relação entre ensinar e aprender. Orienta-se para a formação de um novo homem autônomo, crítico, criativo, consciente de sua responsabilidade individual e social, enfim um novo cidadão para uma nova sociedade (p. 264, 2004).
 O computador é uma das tecnologias que mais se faz uso na atualidade, fato observado em todos os espaços da sociedade: social, individual, profissional, educacional, etc. Podemos usá-lo de diferentes maneiras no cotidiano, para se  comunicar, assim como para ter acesso a diferentes tipos de informações. Como recurso didático, oportuniza-se o fortalecimento das relações de ensino aprendizagem, onde as demandas de um sistema de ensino conteudista sejam correspondidas a partir de uma nova metodologia de ensino que contemple as expectativas de uma clientela que se nega a permanecer estanque dos avanços tecnológicos, e com eles seguem mesmo que seja meramente sob um prisma paradigmático.
As salas de aula precisam acompanhar os avanços de que a tecnologia nos dispõe para que, tirando proveito dos seus recursos, possamos diminuir a dispersão e o absenteísmo que tão fortemente as afetam na atualidade. Como sabemos o uso da tecnologia em sala de aula não é o milagre que vai salvar todos os casos, mas nós não temos o direito de não tentar por indolência ou acomodação, para não tirarmos o que muitas vezes pode ser a última chance que os alunos precisam para quebrar o círculo vicioso que vai do desânimo, baixo rendimento, repetência à evasão escolar.
Assim podemos concluir através das leituras, como também das discussões em sala de aula da disciplina de Tecnologia da Educação, ministrada pela professora Márcia Adriana, que o uso das novas linguagens é de extrema importância para a melhoria do ensino nas escolas que dependem de estratégias para que as aulas se tornem mais interessantes para sua clientela. E é só com empenho e dedicação que poderemos nos distinguir como educadores dos meramente professores.  
Referências
BRANDÃO, Zaia. Evasão e Repetência: a escola em questão . São Paulo, 1994.
CARNEIRO, R. Informática na Educação. Representações sociais do cotidiano. Nº 96. São Paulo: Cortez, 2002.
GUERRA, Fabiana de Paula & DINIZ, Leudjane Michelle Viegas. A incorporação de outras linguagens ao ensino de História. In: História & Ensino. Londrina, v.13. 2007.
LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
KENSKI, V. M. Tecnologias e ensino presencial e a distância. São Paulo: Papirus, 2004.
VALENTE, José. O uso inteligente do computador na educação. Porto Alegre: Pátio, 1997.




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