A
tecnologia como recurso Didático
A geração que ocupa as
salas de aula atualmente nasceu na era em que as tecnologias da informação se
apresentam com uma volatilidade como nunca visto antes. Os alunos estão
antenados nas transformações, fazendo uso das redes de transmissão de dados
para se comunicar com parentes e amigos, tanto dentro como fora do ambiente da
escola. Por ser muito volátil, a tecnologia está sempre se reinventando, o que
faz com que ocorram fatos quase inimagináveis.
Os alunos atualmente
têm presente em suas vidas um mundo de artefatos carregados de tecnologia.
Porém, ainda se veem obrigados a passar longas horas nas salas de aula tradicional,
que nada lembra o mundo deles.
Acaso se pergunte a um
(a) estudante do ensino fundamental o que é uma ficha telefônica, muito
provavelmente ele (a) vai responder que não sabe do que se trata. A velocidade
da evolução tecnológica é tamanha que as pessoas com pouco acesso aos recursos
tecnológico poderiam se surpreender quando esclarecidos da forma como a
tecnologia nos envolve sem distinção.
Conforme
Kenski, a tecnologia não é percebida de maneira clara no dia a dia, para
evidenciar isto basta que lembremos que:
Muitos
dos equipamentos e produtos que utilizamos em nosso cotidiano não são notados
como tecnologias. Alguns invadem nosso corpo, como próteses, alimentos e
medicamentos. Óculos, dentaduras, comidas e bebidas industrializadas, vitaminas
e outros tipos de medicamentos são produtos resultantes de sofisticadas
tecnologias... Tudo o que utilizamos na nossa vida diária, pessoal e
profissional utensílios, livros, giz e apagador, papel, canetas, lápis,
sabonetes, talheres, são formas diferenciadas de ferramentas tecnológicas ( p.
19, 2003)
Então,
não podemos depreender que seria uma contradição manter nossos alunos a parti
deste processo contínuo justamente no espaço que mais ele poderia se beneficiar
do uso orientado dos recursos tecnológicos que podem ser usados em sala de
aula?
Ultimamente
se tem verificado o desinteresse por parte dos alunos que frequentam as salas
de aulas, que continuam com a metodologia que outrora fora sinônimo de sucesso
no repasse de conteúdo pedagógico nos mais diferentes tipos de escolas. São as
salas que não conseguem inovar de modo a contribuir com a concentração dos
alunos, diante do nosso modelo conteudista de ensino.
As
aulas tradicionais discursivas expositivas já não conseguem corresponder as
suas demandas de ensino. Os objetivos tornam-se cada vez distante, visto que
parte dos alunos se dispersam, ou às abandonam, para povoar os corredores e
pátios na companhia de seus equipamentos que utilizam para acessar as redes
sociais, ou mesmo para “matar o tempo”, sempre com seus fones de ouvido em uso;
outra parte que não se evade, permanecendo diante do que consideram uma
“tortura”, que se atenuaria mediante o uso de outras linguagens pedagógicas.
Os
alunos têm seu rendimento prejudicado pela falta de mecanismos que inove a
metodologia de ensino a fim de melhorar a relação ensino aprendizagem, diante
de uma clientela que não estacionou perante as tecnologias que se superam a
cada dia. A sala de aula com este formato, considerado superado por muitos, tem
seguramente papel importante nas causas que surtem nos altos índices de
reprovação, repetências, evasão e queda do rendimento escolar observados no
estágio obrigatório.
Às disciplinas que requerem um alto
grau de abstração para se alcançar uma apreensão e consequentemente uma
compreensão adequada dos conteúdos, como exemplo a História, fazem-se
necessário o uso de âncoras virtuais plausíveis que facilite ao aluno se situar
em um ponto material inteligível para que se possa obter uma melhora na relação
ensino aprendizagem. O que seria bastante razoável pensar os recursos
tecnológicos como ferramentas que postulam este objetivo.
Esta
visão de mediador dos impasses, que possam prejudicar o bom andamento da sala
de aula assim como o resultado final da ação pedagógica, é matéria dos docentes
que se preocupam com os objetivos a serem alcançados, sempre vislumbrando o
processo de emancipação e inclusão do aluno.
Para
que isso seja possível, como lembra Luckesi:
Um educador, que se preocupe com que a sua prática
educacional esteja voltada para a transformação, não poderá agir inconsciente e
irrefletidamente. Cada passo de sua ação deverá estar marcado por uma decisão
clara e explícita do que está fazendo e para onde possivelmente está
encaminhando os resultados de sua ação ( p.46, 1995).
Isto
se encaixa perfeitamente com a discussão do grupo de apresentação de seminário,
do dia 26-11-13, que abriu um debate sobre o conceito, diferença e igualdade
que existem entre o professor e o educador. E a escola não pode ser omissa
diante do seu papel primordial de difundir conhecimento com métodos capazes de
promover uma educação libertadora, formando cidadãos mais críticos. Isto passa
pelas mãos do professor, que via de regra deveria ser antes de qualquer coisa,
um educador.
Deparei-me
com uma realidade que não foge ao habitual de grande parcela das escolas nas
quais há colegas em estágio nas atividades de prática pedagógica assim como eu,
e com os quais tive contato discutindo o assunto em questão. Professores
acomodados com pouca, ou sem nem uma motivação para usar a tecnologia a seu
favor, o que resulta em alunos também acomodados, que sem uma orientação farão
uso da tecnologia para o entretenimento ao passo que deveriam ter esse uso
continuado no espaço escolar, visto que, a partir de Carneiro, o uso da
informática já faz parte do cotidiano deles:
O
uso da informática no ambiente doméstico alterou o modo de lazer das crianças e
adultos com a utilização de jogos, simuladores e dos diversos ambientes na
Internet e tornou-se recurso adicional para pesquisas e trabalhos escolares
pela utilização de aplicativos básicos, como editores de texto e programas para
desenho, enciclopédias eletrônicas, sites da rede mundial e jogos educativos, (
p. 24, 2002)
A realidade nos mostra que não podemos nos esquivar dos artefatos
que possibilitam inovar, na sala de aula, com ferramenta que nos possibilitem
resgatar a atenção do aluno. Integrar essa novas tecnologias à sala de aula
ainda é pouco frequente e um desafio para professores, principalmente porque a
formação, frequentemente, desconsidera essas tecnologias. Quando muito, geralmente, apresenta-se a teoria sem
uma prática, o que garante a muitos docentes iniciar-se profissionalmente
desprovido da intimidade
com as ferramentas tecnológicas. Fora do processo tecnológico se distanciam
processo de formação do homem que não se resume ao repasse de conteúdo e a
aprendizagem.
Ao falar das novas tecnologias como recursos
de interação, KENSKI afirma que:
Os novos processos de interação e comunicação
no ensino mediado pelas tecnologias visam ir além da relação entre ensinar e
aprender. Orienta-se para a formação de um novo homem autônomo, crítico,
criativo, consciente de sua responsabilidade individual e social, enfim um novo
cidadão para uma nova sociedade (p. 264, 2004).
O computador é uma das
tecnologias que mais se faz uso na atualidade, fato observado em todos os
espaços da sociedade: social, individual, profissional, educacional, etc. Podemos
usá-lo de diferentes maneiras no cotidiano, para se comunicar, assim como para ter acesso a
diferentes tipos de informações. Como recurso didático, oportuniza-se o
fortalecimento das relações de ensino aprendizagem, onde as demandas de um sistema
de ensino conteudista sejam correspondidas a partir de uma nova metodologia de
ensino que contemple as expectativas de uma clientela que se nega a permanecer
estanque dos avanços tecnológicos, e com eles seguem mesmo que seja meramente
sob um prisma paradigmático.
As salas de aula
precisam acompanhar os avanços de que a tecnologia nos dispõe para que, tirando
proveito dos seus recursos, possamos diminuir a dispersão e o absenteísmo que
tão fortemente as afetam na atualidade. Como sabemos o uso da tecnologia em
sala de aula não é o milagre que vai salvar todos os casos, mas nós não temos o
direito de não tentar por indolência ou acomodação, para não tirarmos o que
muitas vezes pode ser a última chance que os alunos precisam para quebrar o
círculo vicioso que vai do desânimo, baixo rendimento, repetência à evasão
escolar.
Assim
podemos concluir através das leituras, como também das discussões em sala de
aula da disciplina de Tecnologia da Educação, ministrada pela professora Márcia
Adriana, que o uso das novas linguagens é de extrema importância para a
melhoria do ensino nas escolas que dependem de estratégias para
que as aulas se tornem mais interessantes para sua clientela. E é só
com empenho e dedicação que poderemos nos distinguir como educadores dos
meramente professores.
Referências
BRANDÃO, Zaia. Evasão e Repetência: a escola em questão .
São Paulo, 1994.
CARNEIRO, R. Informática na Educação.
Representações sociais do cotidiano. Nº 96. São Paulo: Cortez, 2002.
GUERRA, Fabiana de Paula & DINIZ, Leudjane
Michelle Viegas. A incorporação de outras linguagens ao ensino de História. In:
História & Ensino. Londrina, v.13. 2007.
LUCKESI, C. C. Avaliação da
aprendizagem escolar. São Paulo: Cortez, 1995.
KENSKI, V. M. Tecnologias e ensino
presencial e a distância. São Paulo: Papirus, 2004.
VALENTE, José. O uso inteligente do computador na educação.
Porto Alegre: Pátio, 1997.
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